Hoje a alma está de luto,
perderam-se lágrimas preciosas,
a dor por mais que não queira
invade o peito de tristeza.
Hoje o céu está mais escuro
já não teve o mesmo brilho,
não construas um muro
à volta de tão lindo trilho.
As palavras são de consternações
pela revolta de uma vida,
uma mágoa em dois corações
lágrimas em lágrima perdida.
Por onde vagueiam o entendimento,
por onde vagueiam as palavras,
por onde vai o pensamento
na noite mal dormida em alvoradas.
Não muda o destino
que para a frente se encaminha.
Volta, tempos de menino.
Volta horas que a hora tinha.
Porque é que me marcas-te tanto
ó tempo, ó vida.
Porque é que o meu pranto
se entrega à noite perdida.
Porque é que dói e apertada
o peito em minutos dolentes,
da tal lágrima perdida
por palavras inconsequentes.
Já me perco em citações
sem conseguir descrição,
para a dor dos meus refrões,
para o aperto no coração.
Quero sentir novamente
as feridas em carne viva,
dói menos quando a pele sente
o que a alma trás cativa.
Hoje nada é igual,
tudo parece amargo
no sabor das palavras o sal,
das palavras que hoje trago.
Em todo o lado vejo dor,
até na nuvem mais alta.
Não sendo dor de amor,
é mesmo a dor da falta.
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