quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Até que a morte me encontre

Espero pela noite ansiosamente, para que com ela traga, um pedido, uma suplica desesperada de quem espera que a morte venha buscar mas que tem medo de morrer acordado. Só a noite, só ela pode trazer com um sono profundo aquilo que eu peço, não peço nada mais que a morte.

É tanta dor, tanta mágoa, tantos erros, tantos enganos que a vida já se torna pesada e sem espaço para mim. Já não consigo aguentar mais, estou aqui à espera, como quem espera a felicidade, que a morte me dê a felicidade de tirar-me a vida.

Muitas vezes hoje pergunto-me porque vivo, no mesmo lugar, que ontem, dizia que era feliz. A felicidade só me veio quando vivi e hoje já não vivo, não sei o que é viver.

Os erros são caros, um preço ao qual eu, na minha longa história, tenho muito de erros e enganos, de mágoas e lágrimas.

Chega, ponham um ponto final na minha história, qual será a divindade à qual terei de fazer esta suplica?

Só não quero viver mais, apesar de continuar a caminhar todos os dias, será que alguém ai entende isso? Será que alguém vê o meu sofrimento? Será que alguém vê o quanto me fazem sofrer?

Não peço nada a ninguém, já pedi muito e muito tive, hoje continuo, apesar de tudo, a ter ainda algo, mas não quero mais nada.

Só peço a morte, alguém ajuda-me a procurar? Tenho a encontrado em vários lugares mas tenho sido cobarde e não a deixei de enfrentar conscientemente, apesar do meu inconsciente chamar por ela a todos os segundos.

Hoje passei por ela, e perguntei-lhe, porque é que não me levas contigo? Ela não me respondeu, eu sei o porque, porque ela quando vem, vem silenciosamente. Quem me dera gozar desse silêncio, que tanto tenho procurado.

Leva-me, carrega-me, tira-me daqui. É pedir muito m*rda, quando eu menos precisei de ti estives-te lá, mas não foi para me levar...

Já me dói as costas de levar tanto peso, sem achar numa esquina ou viela alivio para a minha alma.

O meu sorriso continua aqui... Mas vai deixar de existir, só tenho a pedir desculpas, mas não consigo, está a ser impossível.

Dói muito o peito, não encontro alivio...

E até que a aquilo que tanto espero me encontre, vou procurando por ela sem coragem para a enfrentar, esperando que num sonho ela venha me buscar...


sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Uma palavra não chega para descrever a Caneta

Era uma criança inocente,

já pensava na vida

no futuro, passado e presente.

Olhava para todos os lados

imaginava mil coisas

iniciei-me logo nos fados

investi todas as forças.

11 anos de idade

caminhava pelas ruas,

nuas e cruas

sem ter maldade.

Pensava mais um instante

e já queria ser “gente grande”

passava pelas montras

e via numa estante,

aquilo que eu sonhava

e apreciava

chateava a minha mãe

a ver se ela comprava,

ela dizia sempre que

naquele momento não dava.

Mas eu insistia

e ela dizia:

Ouve lá “criança gigante”

aquela Caneta é para “gente grande”.

Eu dizia: (maroto)

Vá lá mamãe

dá-me aquela Caneta

nunca tive uma assim,

será que com o dinheiro das gorjetas

do café onde eu ajudava

dava para comprar a Caneta

que eu tanto sonhava

faltou, foi por pouco

mas a mãe ajudava.

Escrevi, rê-escrevi

e voltei a escrever

guardei e estimei a caneta

que não queria perder.

Foi preciso mais 8 anos

para que depois de tantos enganos

erros ire-tornáveis

finalmente percebesse

que há poucas mas verdadeiras

relações amigáveis.

Não quero que deixes de escrever

para continuares a crescer,

por isso confio-te a Caneta

que me viu crescer.

É uma honra tê-la nas tuas mãos

sei que darão bons frutos

ensinamentos maduros

a uma nova geração.

Aproveita todas as linhas

pois tudo nasceu de uma canção

tens o teu lugar dentro do coração

de quem te deu a Caneta

para mais um refrão.



terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Chuva (Mariza)

"As coisas vulgares que há na vida 
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir
Há gente que fica na história
Da história da gente
E outras de quem nem o nome
Lembramos ouvir
São emoções que dão vida
À saudade que trago
Aquelas que tive contigo
E acabei por perder
Há dias que marcam a alma
E a vida da gente
E aquele em que tu me deixaste
Não posso esquecer
A chuva molhava-me o rosto
Gelado e cansado
As ruas que a cidade tinha
Já eu percorrera
Ai... meu choro de moço perdido
Gritava à cidade
Que o fogo do amor sob a chuva
Há instantes morrera
chuva ouviu e calou
Meu segredo à cidade
E eis que ela bate no vidro
Trazendo a saudade"



sábado, 15 de janeiro de 2011

Chega, Basta...

Não tenho nada que me prenda, não fui história nem lenda para que ainda se lembrem de mim, há muitas história às quais pus um ponto-final no fim. Não é para ofender ninguém, não é para falar de ninguém quando apenas falo de mim. Tive mais que uma vida, tive mais que um começo dentro de muitos fins, isto não é para ninguém, não é para ir mais além, é apenas o falar da minha alma, não atiro "postas" a ninguém porque quando falar falarei na cara. Aprendi muito vivi muito, sem pai para ensinar, talvez crescesse mais correcto, falasse outro dialecto, talvez soubesse até sonhar. Cresci sem estrutura, a rua guardou e guarda amarguras por onde quero passar, culpem-me se sou culpado de viver neste fado de viver e ensinar. Só quero mais um dia, mais um momento de alegria para poder consolar, uma dor que me consome, que não desaparece nem some e que eu hei de levar; para a minha vida toda, pro c*ralho que me f*da e para as macas de hospitais que sem querer alarmar mas da ultima vez foi calmante de seringa e 9 para me agarrar. Chamam de epilepsia, disseram, e eu me ria sem querer acreditar. Mas a vida nunca se esquece, cada um tem o que merece e eu já estou a pagar. É só mais um ente querido morto e eu sem sequer o poder enterrar. Vou aprendendo e vivendo novamente de arma na mão, será cruz ou karma, o que mais vou ter de pagar. Entre p*tas e vinho verde com isto tudo ainda vou sorrindo, quando não me aguentar mais, chegará a hora de dizer ou mundo, adeus eu vou partindo, sei que não deixei nada de bom, nem tive boa vida mas vivi sorrindo. E as coisas que deito aqui mais uma vez digo, são coisas da minha alma e não tem nada a ver com as almas que caminho (incluindo títulos). Continuo a aprender e o que me resta para viver quero viver sozinho, vivendo por ai, sem saber o que fazer dizer ou sentir. As músicas darei outros nomes, só não mudo refrões que são meus. Agora dêem descanso e paz, porque o meu corpo não tem culpa (seringas) das asneiras que a alma faz...

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Livres enganos verdadeiros...

Tal era impossível, incansável, chegar às memórias que havia esquecido e na verdade já tinha tudo guardado mas no esquecimento. Aquilo que foi, partiu e não voltou. Hoje, lá bem no fundo das certezas à uma conclusão latente no meu peito, eu já cheguei a dar a minha vida, os meus momentos, as minhas palavras e tudo o que eu tinha na lembrança, todos os medos, todos os segredos e todos os momentos, mas nunca em momento algum dei aquilo que mereciam, pois hoje sei que se tivesse dado algo que merecessem iriam ficar apaixonados, iriam amar, não a mim pelo meu “eu” mas sim o preenchimento que eu proporcionava ao vazio das suas almas.

Eu não sou vazio, estou preenchido de mim mesmo e hoje tenho a absoluta certeza do que sou, do que sou capaz, de até onde eu consigo chegar e quais são os meus limites, tudo isto não porque eu tenha me aproveitado do vazio das vossas almas para preencher a minha mas sim por ter aprendido com toda a fraqueza que estava à minha volta e isso tornou-me uma pessoa mais forte. Eu amei houveram pessoas que se apaixonaram, só não continuaram na paixão porque eu não sou maquina de enganos, nem quero que andem a enganar-me com sentimentos inexistentes, para se alimentarem, do bem que lhes possa eu proporcionar.

Se achavam que eu era cego ou andava cego sem ver, então enganaram se todos, eu é que nunca me enganei porque apenas aprendi com a vida tudo o que ela tinha para ensinar-me até hoje. Aprendi que após estar rodeado de gente à minha volta, eu era apenas uma ovelha no meio de tantos lobos e isso não faz de mim o coitadinho, atenção, apenas faz de mim aquilo que eu fui, até porque o sucesso trás consigo muitas outras coisas e eu prefiro não ter sucesso nenhum do que rodeado de “sanguessugas da fama” que nos tiram tudo e nos retribuem o desprezo quando não passamos de nada e a minha alma tem um infinito valor, valor esse que nem por caridade o perco.

Aprendi muito com os homens e com as mulheres então nem sabem o quanto eu aprendi, todas as pessoas têm uma coisa engraçada são mentirosas e a tendência é culpar os outros das mentiras que pregam, e quanto mais grave é a mentira maior é a culpa que nos fazem sentir, são falsos e quanto mais falsos são provocam-nos um sentimento igual ao delas fazem nos passar por falsos, fingem sentimentos que não sentem e como nós temos certezas daquilo que sentimos culpam-nos de forma a que aliviem a dor da incerteza das suas almas. A verdade é mesmo está o mal não sou eu, se as pessoas olharem bem para dentro de algumas delas vão ver que muitas coisas de qual acusam umas as outras não é nada mais que aquilo que são e aquilo que sentem. As pessoas são mesmo assim precisam de causar a dor nos outros só para aliviarem a dor que sentem no seu interior.

Eu nunca enganei ninguém, nem disse mal de ninguém apenas fiz testes para ver até onde as pessoas iam mas prefiro dizer que são ingénuas porque a mensagem chegou ao destino, porque será que no meio do caminho tomaram outros nomes? Não sei mas por aquilo que eu passei com cada um foi único por isso acreditem no que quiserem, as pessoas têm é uma incrível maneira saírem por cima com coisas que dizem e cansam as palavras a tentarem reparar os seus erros, eu não preciso disso só falo uma vez acreditam se quiserem, eu não tenho nada a perder, eu não perco nada, tudo o que eu tinha a perder já perdi e a única coisas que eu perdi até hoje foi uma pessoa que nunca mais há de voltar, o resto foi só aprendizagem... E um dia o amor não se transformou em ódio apenas abriu os olhos...