sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Contigo

Por entre mares e marés
por entres rios e colinas
diz-me o que sabes, quem és,
porque é que nos sonhos me dominas.
O vento trás o perfume 
fragmentos de lembranças,
do Luar já é costume 
abraçar nossas esperanças.
Se não sinto,
desminto,
digo que não minto
ao dizer que me devoras,
todo o meu ser
todo o meu querer,
está em ti a toda hora.
Tenho ciúme do vento
que passa por ti,
da água que lava
os teus sentidos
fazes minha alma sorrir,
sempre que dava
as sete badaladas
do nosso encontro
onde davas,
tudo o que tinhas
e o nosso prazer encontravas.
Pelos teus olhos cor de mel,
pela tua voz doce e suave
aquilo que em mim é teu,
bate levemente sem que pare,
Alimentando esta chama esquecida,
desta paixão que no vento que fomos
deixar que a minha, tua, nossa vida
se desenlaçasse em tudo aquilo que somos.

Onde andas

Diz-me se te perdes-te,
diz-me à sombra do tempo,
pois tudo o que me deste
levas-te contigo no momento.
Porque é que te vais
sem saber quem somos,
caio no beijo onde cais
no silêncio do que fomos.
Será que compreendes
assim como eu expresso?
Será que não te perdes,
onde procuro um regresso.
Onde ficaram as promessas,
as juras estendidas ao Luar,
só peço que não te esqueças
o que foi o intenso esperar,
que chegassem sem chegar,
do que sonhas sem sonhar.
Sei que sem destino
estamos destinados,
ao castigo do que sinto
onde somos esperados.
Sei que não irás chegar
de onde partiste, o fim.
Pede aos Deuses do Luar,
que não te façam chorar por mim.

Caminhos


No cruzar das marés que me calas.
Na voz doce, triste e magoada,
ver que no silêncio daquelas almas,
na leve tristeza daquela vaga.
Corre a brisa que te leve
para perto o muito ausente,
levemente o frio e a neve
levaram a lágrima dolente.
Na chama da paixão que se desvanece,
quando o esvair duma saudade
no teu peito dorme, o sentimento tece,
a dor nas ruas daquela cidade.
O som das ruas, entre a maresia,
que a vaga do mar se desprende,
cheira à saudade de alma vazia
com sabor aos beijo que se rende.

Procura


Procurei-te onde a solidão,
abraçou-me e sem piedade
disse a este meu coração,
que pelas ruas da cidade;
correu à tua procura,
gritou por ti noite fora,
encontrou-se com a loucura
pois tinhas mandado embora,
meu coração que é teu,
minha vida que é só tua,
esse teu corpo era meu
só já vejo à luz da Lua.
No embalar de uma saudade,
adormeço a dor da despedida
nem mesmo as ruas da cidade,
onde a minha pobre vida

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Fragmentos de saudade

Tão distante como o céu está do mar,
tão longe quanto a maresia no deserto,
tão distante na distância de um olhar,
haverá encontro num horizonte certo
onde possa ou não possa te encontrar.
Morrem os sentidos, sentindo a despedida,
já ditam os Deuses um fim esperado,
aos Deuses, à Saudade e à própria Vida
peço que te tragam à noite para meu lado.
Para que serviu tantos sonhos trocados,
momentos que fizeram de mim menino,
de sonhos, sonhando em todos os lados,
se hoje vou caminhando só no meu destino.
Dói a amargura das horas sombrias,
vestidas de uma mágoa e desespero,
são tão gastas as noites longas e frias,
onde já não nos damos por inteiro,
à loucura que consumia nossos corpos
na chama ardente de uma paixão,
hoje gritam os meus sonhos quase mortos
por ti, por teu corpo, pelo teu coração.
Quantos Luares cobriram os desejos,
as tentações, a realidade do momento,
as nossas bocas sedentes de um beijo,
diz-me se foi em vão todo este tempo.
Nos sonhos que hoje chamam por ti,
vêem-te como uma doce miragem,
pois fugis-te dos sonhos e eu aqui
esperando o sabor da tua passagem.
Quanto valem estas pobres palavras?
Quanto vale esta dor que me devora?
Só eu sei quanto vale o valor que davas,
às palavras que hoje vêem-te ir embora.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Por ser curta

Longa é a noite em que procuro,
encontrar no brilho das palavras
aquilo que vejo no escuro,
voando em longas madrugadas.
Vou perguntando ao som das ondas do mar
se te têm em segredo na beleza inédita
do bailar das ondas ao rebentar,
num porto seguro onde o destino dita
que por mais que navegues por marés,
hás-de sempre encontrar
em mim, em nós, aquilo que tu és.
Solta-se num sorriso teu
um brilho de ternura,
na paixão do teu coração, o meu,
de cede e de loucura
adormece a dor desmedida,
por ter-te em pensamento
e longe ao lado da vida.
Saudades que sinto desse olhar,
desses lábios que queimam,
desse corpo que podia estar
onde os meus olhos o desejam.
Se por sorte ou azar um dia
eu partir par longe, ao Luar,
encontra a tua alegria
para que eu te possa encontrar.
Sei que são longas as noites,
o desespero, a dor, a amargura
por mares, marés, poucas sortes,
acende a doce chama da tua ternura,
para que nela eu me deite e nesse mar
que não me impõe tempestades,
possa enfim, no fim, descansar
as amarguras, dores e cansaços
que ando nesta vida a passar.
Não me deixem sozinho,
deixem-me apenas na solidão
para poder num sonho ver
que me dói mais o coração,
num sonho de solidão
que aquilo que possa
acompanhado pensar.