segunda-feira, 26 de março de 2012

O que foi...

Porque é que ainda vens
atormentar os meus sonhos,
onde já não moras nem tens
tudo aquilo que era teu.
Meu coração que te guarde,
onde ele quiser e bem entende,
pois mesmo sem fazer alarde
nem que venhas mais tarde
só o meu coração compreende,
a dor que lhe causas-te.
Ainda te lembras de mim,
uma longínqua miragem
nesse pensamento, meu fim,
ficou pela passagem
daquilo que foste, enfim...
Um dia que por mim passes,
não tenhas pena, não tenhas dó.
Por todo o mal que me fazes
deixa-me estar bem e só.
Pois eu, desejei-te como ninguém.
Tinha-te como a imagem daquela
que ninguém neste mundo tem,
não eras apenas, se não aquela.
Talvez um dia olhes mas será tarde,
a vida é certo, dá-nos tanto desenganos,
mas não precisas de fazer alarde,
se vier o arrependimento
com o passar dos anos.
A tanto que não te vejo,
hoje fui ver o brilho das marés
aquilo que em ti era um desejo,
pois hoje já não sei quem és.
 

quarta-feira, 14 de março de 2012

Desilusão

Cria-se a revolta
a calma não volta,
se vais deixo-te ir
um dia hei-de te ver sorrir.
Por ai ou por aqui,
para onde vais?
Não sei,
não quero saber.
Já me basta
encarar o teu passado,
ver que fui apenas
uma brincadeira
do teu lado.
Histórias
deixo-as pela Serra,
os contos que conto
já os deixo pela terra.
Viciaste o meu ser,
viciaste-me a alma,
quero que a distância
mate a dor da tua falta.
Espero mas se voltares
jamais te esqueças,
que fostes
sem te importares,
da revolta não me impeças.
Pensa que,
não estou apenas magoado,
não estou apenas desiludido,
pois quando tive ao teu lado,
dizias ser a primeira vez
que aquilo se tinha sucedido.
Para além de tudo
eu sou teu amigo,
se quiseres vem ter comigo,
não venhas é tarde
pois podes não me encontrar
onde eu me encontrava contigo.
Se sou revoltado?
Não, nunca tenho razão.
Mas um dia que olhes
para aquilo que eu vi,
talvez dirás que eu tinha
razão para ter sentido
tudo aquilo que senti.
Por que é que me fizeste isto?
Por que é que eu me fiz isto?
Concordo que a loucura
de uma paixão sem limites,
deixa-nos à porta da procura
de preencher um vazio,
vazio já eu estou
eu sou vazio,
apenas entraste no vazio
que eu sou e tu não vês.

   

terça-feira, 6 de março de 2012

O que foi...

Foge o tempo,
chegando a tempestade,
no peso do meu sofrimento
vagueando pelas ruas da cidade.
Porque é que ainda sonho?
porque é que é tão escuro?
Na vida que suponho,
nascer de algo puro.
Vai mas leva contigo esta dor,
vai e leva contigo o sofrimento
de saber o quanto custa o amor
e o que é senti-lo cá dentro.
Olha à tua volta,
pergunta à saudade
por uma lágrima que se solta
dentro da minha vontade,
de ter-te ao meu lado,
de ter-te pela noite fora,
seguindo este meu fado
na vontade de ir embora.
Sabes o que é amar?
Sabes o que é dedicar?
Porque a vida me trás
apenas as desilusões,
as distâncias são más
quando são dois corações.
Não me tragas mais vida,
vida que por mim passa.
Nesta felicidade perdida,
nesta dor que tanto massa. 
Não voltes na volta do teu caminho,
vai para longe onde só o vento
leve para mais longe o teu carinho,
para não o ter no meu pensamento.
Já que este coração magoado,
que pelas noites vagueia em solidão
se por tristeza entrego-me ao Fado,
por alegria matava o meu coração.
Um dia hás-de sentir
tudo aquilo que me tens feito,
nesta intermitência de existir
vais dormir na dor que me deito.