quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Por ser curta

Longa é a noite em que procuro,
encontrar no brilho das palavras
aquilo que vejo no escuro,
voando em longas madrugadas.
Vou perguntando ao som das ondas do mar
se te têm em segredo na beleza inédita
do bailar das ondas ao rebentar,
num porto seguro onde o destino dita
que por mais que navegues por marés,
hás-de sempre encontrar
em mim, em nós, aquilo que tu és.
Solta-se num sorriso teu
um brilho de ternura,
na paixão do teu coração, o meu,
de cede e de loucura
adormece a dor desmedida,
por ter-te em pensamento
e longe ao lado da vida.
Saudades que sinto desse olhar,
desses lábios que queimam,
desse corpo que podia estar
onde os meus olhos o desejam.
Se por sorte ou azar um dia
eu partir par longe, ao Luar,
encontra a tua alegria
para que eu te possa encontrar.
Sei que são longas as noites,
o desespero, a dor, a amargura
por mares, marés, poucas sortes,
acende a doce chama da tua ternura,
para que nela eu me deite e nesse mar
que não me impõe tempestades,
possa enfim, no fim, descansar
as amarguras, dores e cansaços
que ando nesta vida a passar.
Não me deixem sozinho,
deixem-me apenas na solidão
para poder num sonho ver
que me dói mais o coração,
num sonho de solidão
que aquilo que possa
acompanhado pensar.

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