Tão distante como o céu está do mar,
tão longe quanto a maresia no deserto,
tão distante na distância de um olhar,
haverá encontro num horizonte certo
onde possa ou não possa te encontrar.
Morrem os sentidos, sentindo a despedida,
já ditam os Deuses um fim esperado,
aos Deuses, à Saudade e à própria Vida
peço que te tragam à noite para meu lado.
Para que serviu tantos sonhos trocados,
momentos que fizeram de mim menino,
de sonhos, sonhando em todos os lados,
se hoje vou caminhando só no meu destino.
Dói a amargura das horas sombrias,
vestidas de uma mágoa e desespero,
são tão gastas as noites longas e frias,
onde já não nos damos por inteiro,
à loucura que consumia nossos corpos
na chama ardente de uma paixão,
hoje gritam os meus sonhos quase mortos
por ti, por teu corpo, pelo teu coração.
Quantos Luares cobriram os desejos,
as tentações, a realidade do momento,
as nossas bocas sedentes de um beijo,
diz-me se foi em vão todo este tempo.
Nos sonhos que hoje chamam por ti,
vêem-te como uma doce miragem,
pois fugis-te dos sonhos e eu aqui
esperando o sabor da tua passagem.
Quanto valem estas pobres palavras?
Quanto vale esta dor que me devora?
Só eu sei quanto vale o valor que davas,
às palavras que hoje vêem-te ir embora.
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