E quem vê estas palavras? Quem as leva para fora daqui? Quem as tira de mim?
Vou ao teu encontro, corro as ruas da cidade à tua procura, vou entrando pelos caminhos onde me perco na escuridão da noite e... Mais uma vez perco-me em meus pensamentos, naqueles em que invades sem teres autorização, que enches de ternura da doce lembrança que me trás a tua doce e suave voz, que acalma-me a alma e sossega-me os sentidos.
Não posso viver assim, não podes viver eternamente no meu peito, não posso ser o sujeito de um amor incompleto. Mas se é isto a que o destino me reduz, quem sou eu para o contrariar. Não posso, não devo, não quero. Mais vale entrar na escuridão da noite sozinho e ir buscar-te em pensamento, que viver ao lado de outro alguém que viria preencher o espaço no meu peito que só a ti quer cá dentro.
Quantas palavras foram deitadas para fora, quantas palavras me vieram do peito, quão grande ou pequeno foi o valor que lhes deste?
Peço as almas que vagueiam comigo que me levem para o mais longe que me possam levar. Já que o pensamento é sempre reduzido à tua presença, que o corpo vá até onde as almas o consigam levar. Que passe por mares e montanhas e deixe nelas um toque de sua presença no corpo e na consciência que foge de ti em horas de saudade.
Não te percas, não me faças perder mais que aquilo que eu já me encontro perdido sem conseguir encontrar-me. Não sei onde estou, o que faço aqui, não sei onde vou, não sei a hora de partir, não sei que sou, não sei quem são, não sei quantos são, não sei tudo, sei que não sei nada, não sei quais são as estradas, são sei se ando perdido ou apenas desencontrado. O que fizeste de mim, o que fizeram de mim, quem sou eu?
Não para, não para, não para, não para, a minha cabeça não para e a arma dispara, vejo a morte à minha frente, será que as recordações fazem parte do meu presente ou são coisas do passado. Não te vejo, não te toco, não te encontro em nenhum lado.
Olha para mim, vê que estou aqui e não te quero acolher apenas quando precisares ou quando te lembrares da minha existência pois eu da tua lembro-me todos os dias, mesmo parecendo que não.
Vai mais uma vez segue em frente e deixa-me aqui, abandonado, sozinho, amargurado e desencontrado da razão de viver. Pode ser que um dia em uma rua qualquer te encontre ou apenas te cruzes comigo em alguma esquina. Olha-me nos olhos e verás que o meu olhar não será o mesmo, já diziam, pois a alma tornou-se fria, a diferença entre matar, morrer, viver e deixar acontecer tornou-se mínima e quase ninguém deu por nada.
Que vivam e agarrem-se à vida pois eu já morri à muito.
A Guitarra já não toca, a voz já não sai como dantes e hoje só no Fado encontro as lágrimas que há muito secaram, Fado é triste e poucos que conheço ouvem, poucos querem ouvir e eu caminho sozinho por entre ele e nele encontro-me com a minha solidão.
Fui sempre habituado a procurar mas nunca fui procurado, hoje não procuro e ainda ando desencontrado, é triste viver assim, é triste viver neste fado... Não me venham com blá, blá, blá... Eu não me esqueci do passado e também tenho muitos passados que por mim também foram perdoados é pena que quando eu perdoo continuam sem desprimor a caminhar ao meu lado, o que difere de outros passados. As pessoas quando não se magoam gostam de ser magoadas. Eu continuo a caminhar pelo escuro mas a dar as minhas pisadas.
Não falem das vidas que julgam saber e não sabem metade do caminho. Posso até ser titulado com o pior ser à face da terra mas as minhas costas são largas, só não te esqueças e já diziam os antigos: "Antes de apontares um dedo, lembra-te que tens três dedos contra ti."
(Coisas da vida).
Não te esqueças que eu existo quando até nos teus sonhos eu estou.
Sem comentários:
Enviar um comentário