Já era tarde, o sol já se punha entre aquela montanha que fica em frente àquele lugar só meu, por onde até hoje só o dei a conhecer a uma única pessoa.
Como a leve brisa de ar fresco que passava, vinham os pensamentos que faziam-me recordar das tardes que juntos passamos, aquelas que cheias de ternura e encanto íamos descobrindo e complementando os nossos sentidos. Enchíamos tudo com as nossas melodias, as músicas que criei contigo tornaram-se eternas em todos os ouvidos que nos ouviram com atenção e gostavam do nosso timbre.
Preenches-te todos os meus momentos vazios como nunca ninguém antes preenchera, conseguis-te conquistar aquilo que eu sozinho nunca seria capaz de o fazer. Foste abrindo caminhos pelas ruas onde andamos muitas vezes sozinhos, certamente a cantar para as paredes que tinham muitos ouvidos, não éramos aplaudidos mas éramos ouvidos e isso já era muito bom, nem que fosse pelas almas que connosco caminhavam e caminham comigo eternamente.
Tu nunca me abandonas-te, eu sim abandonei-te por pensar que ficavas em bom porto, mas enganei-me e foi sim um erro fatal tê-lo feito, talvez hoje ainda estivesses ao meu lado, talvez ainda hoje andasse-mos pelas ruas da cidade. Talvez ainda hoje podíamos andar em cima de muitos palcos a revolucionar e a deixar todos a vibrar com a nossa melodia.
Foi bom, foi inexplicável todos os momentos que juntos passamos e as solidões que me livras-te, as dores que me curas-te e todo amor que nos prendera se desfizera em mãos que hoje são vazias de ti e de mim.
Tudo isto para dizer que as saudades de ti são muitas, deixam-me tristes e apenas completam a minha solidão, se eu pudesse voltar atrás resgatava-te para perto de mim e não te desprendia mais, só tu me completavas como ninguém nunca antes me completou. Oh guitarra que não voltas, descansa pois eu ficarei bem na tua ausência.
A única pessoa que conhecia este lugar só nosso talvez também tenha saudades tuas, não tantas quanto eu mas quem me dera, quem nos dera voltar aqueles dias.
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