O que faço a esta tristeza?
A esta dor que há em mim?
Não me questiones,
não me faças falar,
deixa-me estar só com este sentimento.
As rimas já não saem,
já não sei dos meus versos.
Tudo o que tinha e não tinha
foi-se com o passar do tempo.
Já não sei sequer de mim,
esta dor consome a alma
sem saber se há fim
este aperto que não acalma.
Quero sair deste mundo
já que não suporto a dor de viver,
para que trazer um sentimento profundo
na insignificante forma de o ter.
Já custa até a respiração,
este peso no peito que trago,
que mal fiz eu ao meu coração
para estar assim tão magoado.
Se um dia eu partir,
lembra-te que fui memória esquecida,
que trouxe à minha forma de sentir,
a minha actual forma de vida.
Já não sou como outrora
pois o tempo passa e magoa,
o vento vai passando lá fora
e ao meu ouvido soa,
que a minha alma doente
tem uma doença que não sara,
é a doença de ter presente
estas lembranças que à tristeza me agarra.
E já que me levas-te tudo
leva-me por piedade a vida,
é muito a dor de sentir cá no fundo
a dor de estar assim de alma perdida.
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