Porque é que ainda vens
atormentar os meus sonhos,
onde já não moras nem tens
tudo aquilo que era teu.
Meu coração que te guarde,
onde ele quiser e bem entende,
pois mesmo sem fazer alarde
nem que venhas mais tarde
só o meu coração compreende,
a dor que lhe causas-te.
Ainda te lembras de mim,
uma longínqua miragem
nesse pensamento, meu fim,
ficou pela passagem
daquilo que foste, enfim...
Um dia que por mim passes,
não tenhas pena, não tenhas dó.
Por todo o mal que me fazes
deixa-me estar bem e só.
Pois eu, desejei-te como ninguém.
Tinha-te como a imagem daquela
que ninguém neste mundo tem,
não eras apenas, se não aquela.
Talvez um dia olhes mas será tarde,
a vida é certo, dá-nos tanto desenganos,
mas não precisas de fazer alarde,
se vier o arrependimento
com o passar dos anos.
A tanto que não te vejo,
hoje fui ver o brilho das marés
aquilo que em ti era um desejo,
pois hoje já não sei quem és.
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