terça-feira, 6 de março de 2012

O que foi...

Foge o tempo,
chegando a tempestade,
no peso do meu sofrimento
vagueando pelas ruas da cidade.
Porque é que ainda sonho?
porque é que é tão escuro?
Na vida que suponho,
nascer de algo puro.
Vai mas leva contigo esta dor,
vai e leva contigo o sofrimento
de saber o quanto custa o amor
e o que é senti-lo cá dentro.
Olha à tua volta,
pergunta à saudade
por uma lágrima que se solta
dentro da minha vontade,
de ter-te ao meu lado,
de ter-te pela noite fora,
seguindo este meu fado
na vontade de ir embora.
Sabes o que é amar?
Sabes o que é dedicar?
Porque a vida me trás
apenas as desilusões,
as distâncias são más
quando são dois corações.
Não me tragas mais vida,
vida que por mim passa.
Nesta felicidade perdida,
nesta dor que tanto massa. 
Não voltes na volta do teu caminho,
vai para longe onde só o vento
leve para mais longe o teu carinho,
para não o ter no meu pensamento.
Já que este coração magoado,
que pelas noites vagueia em solidão
se por tristeza entrego-me ao Fado,
por alegria matava o meu coração.
Um dia hás-de sentir
tudo aquilo que me tens feito,
nesta intermitência de existir
vais dormir na dor que me deito.


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