Era uma criança inocente,
já pensava na vida
no futuro, passado e presente.
Olhava para todos os lados
imaginava mil coisas
iniciei-me logo nos fados
investi todas as forças.
11 anos de idade
caminhava pelas ruas,
nuas e cruas
sem ter maldade.
Pensava mais um instante
e já queria ser “gente grande”
passava pelas montras
e via numa estante,
aquilo que eu sonhava
e apreciava
chateava a minha mãe
a ver se ela comprava,
ela dizia sempre que
naquele momento não dava.
Mas eu insistia
e ela dizia:
Ouve lá “criança gigante”
aquela Caneta é para “gente grande”.
Eu dizia: (maroto)
Vá lá mamãe
dá-me aquela Caneta
nunca tive uma assim,
será que com o dinheiro das gorjetas
do café onde eu ajudava
dava para comprar a Caneta
que eu tanto sonhava
faltou, foi por pouco
mas a mãe ajudava.
Escrevi, rê-escrevi
e voltei a escrever
guardei e estimei a caneta
que não queria perder.
Foi preciso mais 8 anos
para que depois de tantos enganos
erros ire-tornáveis
finalmente percebesse
que há poucas mas verdadeiras
relações amigáveis.
Não quero que deixes de escrever
para continuares a crescer,
por isso confio-te a Caneta
que me viu crescer.
É uma honra tê-la nas tuas mãos
sei que darão bons frutos
ensinamentos maduros
a uma nova geração.
Aproveita todas as linhas
pois tudo nasceu de uma canção
tens o teu lugar dentro do coração
de quem te deu a Caneta
para mais um refrão.
Sem comentários:
Enviar um comentário