E a pouco e pouco calava-me a voz...
Criei num meio cheio, um vazio na minha alma
para preencher os vossos tempos
e trazer a minha calma...
Escondi-me dentro daquilo que não era,
para que no meio da primavera caminhasse
junto de vós.
Quando gritava "somos nós"
eram vocês e esta criação, e não,
eu, o meu eu e o meu coração.
Chegou a verdade e não a despedida,
posso não ter sido sincero em algum momento de vida
mas quem olhou bem no fundo,
viu e descobriu que na verdade ali morava alguém,
não a minha criação mas sim o que estava mais além.
No fundo sempre sonhamos, e o "deixar de sonhar"
é o sonho de não sofrer,
talvez uma das minhas maiores verdades,
que, saiu do meu eu...
e essa realidade de mim já se escondeu.
Um dia tinha de ser, um dia sabia que iria doer.
Quanto vale um sonho ao sonho de não sofrer.
"Eu fui o culpado"
eu tenho culpa de não me ter mostrado,
mas quando era "eu" sempre fui sozinho
pois nunca ninguém compreendeu os meus sonhos de menino...
Até que alguém chegou, partiu
e depois mostrou...
Que eu sou livre de voar e acreditar
que quem sabe quem eu sou, sabe o sentido do verbo amar...
para sofrer e aprender, não vale a pena voar
mas sim voar para aprender.
Quem me dera ter voado,
mas contigo ao meu lado...
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