quarta-feira, 26 de maio de 2010

Muitos sentidos.

Ouvi os teus passos cada vez mais distante,
a tua voz já não consolava-me os ouvidos
como dantes,
as ruas ficaram frias e vazias,
tal como diziam as bocas mais sábias
da minha própria sabedoria.
Onde te escondes, já não sinto o teu perfume.
Será que estás onde, a paixão, outrora era 'lume'
ou deixaste-te queimar, no fogo de uma ilusão,
que, diferindo de mim, não te soube amar.
Chamei à noite por ti tantas vezes,
nunca hei de parar,
voz como amor, que nunca à de acabar,
na esperança de que chamando por ti, um dia hás-de voltar.
Aquele lado brilha mais, é mais feliz e iluminado,
pelo brilho do teu olhar que se esconde do outro lado.
Abrem-se as portas e as janelas por onde passo,
não dou por elas abertas e envolvido no meu cansaço,
vou 'dando de beber à dor' totalmente embriagado.
Restam os fragmentos de dor, no meu peito destruído,
ainda há restos de verdade, a que à mágoa,
deu mais sentido.
Mais valia viver e nunca ter vivido.
Desapareço entre as palavras,
onde não sou visto,
se disse mais do que ouvis-te,
então não deveria ter dito.
Guardo dento de mim tudo o que vejo e não digo,
guardas em ti tudo o que sentes, num segredo bem escondido.
Arranca-me do peito o coração, meu bem,
mas não te esqueças estás dentro dele
e se o matas morres também.
Passos passam por mim,
chamam-me e eu não vou,
fico aqui até ao fim,
na esperança de ver-te chegar,
não tenhas pena do meu sofrer,
se não vens por amor,
então deixa-me morrer.
Morrerei feliz sem queixume,
no gélido frio sem o teu 'lume'.

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